Durante largos anos a Madeira foi despojada de quase
totalidade dos seus rendimentos enviando milhares de contos, e não recebendo o
mais insignificante melhoramento. Aquele povo bondoso e trabalhador foi objecto
da mais torpe exploração. Assim, privado de escolas, sem estradas, sem águas de
irrigação, sem a menor comodidade, tem arrastado uma vida miserável de trabalho
e sacrifício. Sem orientação, sem plano, sem a menor provisão a economia da
Madeira foi abandonada aos acasos da sorte(...) e não há solo mais produtivo
nem produtos mais preciosos, nem terra mais linda, nem clima mais benigno; tudo
quanto dependia da natureza ali está na sua expressão mais sublime; todo o mal
que ali existe é só obra de homens.
Somos uma espécie de enteados da metrópole, que nos trata como madrasta cruel; ao passo que dispensa aos açoreanos o tratamento de filhos legítimos e de enfant gaté.
Diário de Notícias, 3-9-1892
Mas nós madeirenses, que não usufruímos nenhuns dos melhoramentos morais ou materiais que gozam os nossos irmãos do Continente(...) nem provavelmente os teremos tão cedo, e que vivemos isolados no meio do Oceano.(...) podemos, devemos contribuir para melhoramentos, que não gozamos, para despesas que não fazemos ? Parece-nos que não.
As Novidades, 28 de Março de 1867
AV//Fumchal-2006



