A História Oral assente fundamentalmente nos testemunhos individuais é resultado do recurso à técnica da entrevista. O sucesso da disciplina depende do cuidado posto nesta técnica de recolha da informação através dos testemunhos, deste modo a principal preocupação dos especialistas e da produção literária da temática insiste nas recomendações sobre a técnica e cuidado da própria entrevista. No sentido de favorecer o sucesso desta forma de fazer História reunimos um conjunto de recomendações fruto da informação recolhida em livro ou páginas didácticas da Internet.

 

1.    A ENTREVISTA

 
A entrevista não se pode resumir apenas ao registo fonográfico da conversa entre os dois interlocutores, uma vez que a ela estão associados vários procedimentos, que vão desde as autorizações do entrevistado para uso da informação, à ficha de registo da entrevista e sua transcrição.

 

PREPARAÇÃO DA ENTREVISTA

 
Antes da realização da entrevista propriamente dita deverá acontecer uma conversa prévia preparatória da mesma. A par disso haverá necessidade de ter em conta alguns procedimentos preliminares de carácter obrigatório.

 
EQUIPAMENTO: preparação do equipamento de gravação (gravador, pilhas, cassetes) de modo a que nada falta ou deixe de funcionar no momento da entrevista.

 LEITURAS: de jornais e livros e outra informação conducente a esclarecer e a apoiar o entrevistador na condução da entrevista, nomeadamente no enunciado adequado das questões da formular. É necessário conhecer muito bem o entrevistado e as questões que o mesmo domina para assim se poder retirar o máximo.

  

RECOMENDAÇÕES PARA ENTREVISTA

 A forma como a entrevista é conduzida é fundamental para o sucesso da iniciativa que está em conseguir testemunhos inovadores e com significado para a reconstituição do discurso histórico recente. Apenas algumas recomendações genéricas:

·        As questões devem ser formuladas de forma que a resposta não se resuma ao sim ou não.

·        As perguntas devem ser formuladas de forma breve e precisa.

·        Nunca se deve começar uma entrevista com as questões polémicas, que devem ser reservadas sempre para o final.

·        Nunca interromper o entrevistado, nomeadamente quando conta facto ou história de interesse, uma vez que esta poderá ser fatal.

·        Entrevista não deverá ultrapassar uma hora.

·        Na entrevista quem brilha é o entrevistado e não o entrevistador.

·        Seja paciente com o entrevistado.

·        Nunca se corrige o entrevistado.

  

FASES DA ENTREVISTA

 
1. Introdução entrevistador - dando conta do seu nome, idade, turma, escola e o projecto a que se destina.

 2. Começar sempre a entrevista com identificação entrevistado: nome, data, local de nascimento.

 
 

ENTREVISTA - DADOS FUNDAMENTAIS

 

  1. AUTORIZAÇÃO: do autor, de acordo com modelo anexo, de uso ao nível académico e de divulgação sob a forma de livro ou arquivo digital.

 

  1. ENTREVISTA

 
Dados pessoais que identifiquem o autor, a que se poderão juntar alguns de apoio, como fotos, diplomas, curriculum, publicações, recortes de impressa.   

 

2.1.: As primeiras questões são para:

-         Data e  local de nascimento

-         Residência

-         Habilitações académicas


-         Actividades profissionais

 
2. 2.: A entrevista deve prosseguir com as vivências da infância até à idade adulta. Neste caso deverá ter-se em conta a data de nascimento e alguns acontecimentos e situações que poderão ter sido marcantes para a vida do entrevistado. As recordações de infância devem ser solicitadas de acordo com o perfil conhecido da personalidade em causa. Neste caso incluem-se as apetências pelas áreas disciplinares da escola, as brincadeiras preferidas, a ideia que fazia para o seu futuro.

 

2. 3.: A terceira fase da entrevista deverá incidir sobre os elementos que definem a personalidade e nível de conhecimentos. Deste modo deverá dar-se atenção ao nível de conhecimentos, às suas crenças religiosas e primeiras experiências políticas. Questões a formular:

-         habilitações académicas

-         Religião: praticante ou não

-         Primeiras experiências políticas: que motivação para a actividade política?

 

            O perfil do entrevistado desenha-se através de um conjunto de preferências e definições resultantes de uma resposta directa.

            

PREFERÊNCIAS:

·        Actividade desportiva

·        Animal

·        Bebida

·        Cinema

·        Livro - poesia e prosa

·        Local férias

·        Marca de vestuário preferida

·        Música

·        Refeição

·        TV - programas favoritos

 

DEFINIÇÕES:

-         Deputado

-         Eleições 

-         Governo

-         Imprensa: rádio, TV e jornais

-         Leis

-         Parlamento

-         Política

 
2.4.: a última parte é dedicada a traçar o perfil político do entrevistado e o seu protagonismo no panorama político. As questões deverão incidir sobre:

 

-         Filiação partidária: partido e data

-         Início da actividade política

-         Actividades que desenvolveu

-         Actividade actual – municipal, parlamentar ou governamental

-         Deputado – funções: Presidência, mesa e comissões

-         Intervenção na Assembleia e temas

-         Factos mais destacados da vida política

-         Participação campanhas eleitorais

-         Papel imprensa

-         Utilidade parlamentar e governo

-         O que é que o governo deve fazer para o povo

 

 

 
3.     FICHA DA ENTREVISTA

 
Terminada a entrevista deverá elaborar-se uma ficha que identifica a fita ou cassete com as seguintes indicações:

        

-         Data e local da entrevista

-         Entrevistado

-         Entrevistador

-         Tema da entrevista

-         Lista palavras-chave sobre temas da entrevista

-         Aspectos pessoais do entrevistado: fotos, curriculum, recortes de imprensa...

  

  1. TRANSCRIÇÃO DE ENTREVISTA

 

A entrevista termina com a sua transcrição em papel. Esta deverá ser fiel ao registo fonográfico disponível.

  

  1. COMENTÁRIO À ENTREVISTA PARA APRESENTAÇÃO NA AULA

 

O objectivo final da entrevista não é apenas o registo do testemunho individual que servirá como fonte para discurso histórico, mas também para avaliação do aluno, através da sua apresentação formal na aula. Esta consistirá de breves apontamentos gravados e de uma apresentação sumária das informações consideradas mais importantes, para além de se destacar aquilo que a mesma aporta de novo ao discurso histórico.