A DEFINIÇÃO
A História Oral é as memórias e recordações da gente viva sobre o seu passado.
(T. Sitton, G. Mehaffy e O.C Davis Jr, Oral History, Austin, 1983)
Hoje a História não se resume apenas aos testemunhos da tradição escrita. Sendo assim como entender a História dos Povos sem escrita ou que basearam a sua transmissão através da tradição oral. Por outro lado a história como ciência dos homens, não deve preocupar-se apenas com as grandes personalidades, mas com todos, afinal factores do processo histórico em formas distintas. Assim a Historiografia na segunda metade do século XX deu um avanço significativo no âmbito dos conteúdos, dando voz aos “sem história”, sem expressão historiográfica e documental. A História da gente é a expressão perfeita desta nova realidade da História individual no discurso histórico.
A História Oral surgiu na década de cinquenta como forma de valorização das memórias e recordações do indivíduo. Com a criação em 1966 da Associação de História Oral abriu-se caminho para a afirmação desta nova técnica de recolha da informação oral.
A História Oral é entendida como um método de recolha e preservação da informação histórica através do registo de vivências e acontecimentos vividos pelos testemunhos ou entrevistados. A sua realização obedece à técnica da entrevista, mas não pode ser considerada como um acto jornalístico. Os seus métodos conferem a quem quer que seja a possibilidade de acesso a esse registo. Esta última situação implica a existência de um Laboratório e Arquivo de História Oral. Este passo importante permite que o testemunho oral assume o atributo de documento histórico. A popularização da História Oral nos EUA tornou-se mais clara com a publicação de “Roots: the Saga of an American Family” (1976)” de Alex Haley. O livro e a série televisiva lançaram o sucesso de História pessoal e da genealogia. E é desta primeira que se alimenta a História Oral.
APLICAÇÃO DA HISTORIAL ORAL
São múltiplos e variados os exemplos em que esta disciplina pode e merece ser aplicada. No caso vertente da História da Madeira temos alguns acontecimentos importantes do nosso século onde ainda existem testemunhos presenciais que rapidamente podem desaparecer. Recordo-me, por exemplo, da Revolta da Farinha de 1931, da Revolta do Leite de 1936, dos primeiros momentos da transformação política de 1974, que agora se comemoram vinte e cinco anos.
História Local é um dos campos onde a História Oral tem plena aplicação, com excelentes resultados, se tiver em conta as regras formais da sua realização. Através dos testemunhos dos residentes mais idosos é possível resgatar múltiplos aspectos da História local, nomeadamente do quotidiano dos últimos cem anos, ou mesmo de períodos anteriores, se for caso de a memória oral estar muito desenvolvida e ter havido tradição de transmissão. A partir daqui será possível historiar os acontecimentos mais importantes da localidade, que muitas vezes não tem lugar ou não merecem registo da documentação oficial. Além disso poder-se-á reconstituir o quotidiano, com usos e costumes, de diversas épocas, através de testemunhos, registos fotográficos e objectos materiais.
A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA ORAL.
A preservação de todo o acervo da memória e História oral deverá ser feito através da criação no âmbito da escola de um Laboratório e Arquivo de História Oral, para salvaguarda do material reunido.
A divulgação dos resultados poderá ser feita através de exposições, publicações em suporte papel e digital. A criação de um espaço de divulgação na Internet é fundamental para a consolidação desta componente divulgativa.
REALIZAÇÃO DAS ACTIVIDADES.
As actividades deverão ocorrer o âmbito da área escola, nomeadamente nas disciplinas de História e Ciências Sociais, podendo-se contemplar os diversos níveis de ensino. Será de todo o interesse da criação de um grupo de História Oral que possa ser responsável e coordenador destas actividades.